terça-feira, 23 de novembro de 2010

In my dirty backstage


Acordo de um sono profundo e estou tomada pelo susto. Minha pele parece estar mais fria do que já esteve em toda minha vida. Nada vejo a não ser minha culpa; culpa esta causada pelas imagens que eu acabara de ver. Meus ouvidos sentem a chuva, ouvem minha respiração acelerada.
Percebo que já não estou na minha cama, andando pelo quarto sem saber exatamente o que estou fazendo. É quando as memórias começam a voltar uma a uma para meus pensamentos e elas arrancam pedaços de minha alma com seus dentes pontiagudos.
Tudo parece estar perfeito, a chuva lava as impurezas que meu corpo revela, ou seria isso apenas o que eu queria que fosse verdade? Todas as coisas que fiz para proteger-me da dor agora estão vivendo na minha sombra, revelando-me a sujeira que escondo nos meus bastidores. As provas ainda estão ao chão, para que ao pisa-las eu possa machucar também os meus pés.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Espinhos, pedras e olhares.


Aqueles que me acompanhavam hoje são embora jogando pedras e me atirando aos espinhos, mas eu me levanto com um sorriso na face sabendo que há um alguém muito mais importante que está ali para estender-me a mão. Aqueles que vieram depois desses que me acompanhavam primeiro, agora mudam suas atitudes e vão, sem saber porque, se juntar a aqueles que me atiraram pedras pontiagudas.
Percebo que alguns ficam do meu lado, procurando a mesma pessoa que procuro e tentando ser semelhante a ela. Alguns simplesmente mudam seu caminho e vão se encontrar com pessoas como aquelas que me apunhalaram, outras apenas se perdem.
É estranho imaginar que ninguém pode me machucar para sempre.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Será que eu poderia?


Se eu pudesse mergulhar com os pássaros
E sonhar com as corujas
Eu seria uma imensidão de felicidade
Minha alegria me faria viver eternamente

Se eu pudesse sentir a leveza da não gravidade
Seria como sobreviver dentro da água
Sentiria que estava nadando em um plasma infinito
Em que o tempo não existe
E o calor que emana de um para o outro
É aquilo que um dia chamaram de amor

[Amanda Ibraimovic - no copy]

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Tudo que eu podia

Eu podia tudo: podia sentir, mas não sinto, podia amar, mas não amo, podia sofrer, mas não sofro.
Passam os segundos e os minutos e tudo muda. Logo sinto, amo e sofro. Foi o fantasma do meu passado me assombrando mais uma vez e não sei se gosto ou não disso. Meu coração está quebrando em três, as três partes agora se perdem e não sei quando vou encontra-las, quem sabe eu nunca as encontre.
Minha única saída é recomeçar e reconstruir minha alma; aprender a viver e receber um novo coração para bombear meus sangue e retirar esse frio que me consome.
Vou viver os dias, as semanas, os anos e superarei essa dor. Descobrirei um dia o que é o amor.
[Amanda Ibraimovic - no copy]

segunda-feira, 9 de agosto de 2010


Ela tinha medo das pequenas coisas, tinha medo das notas graves do piano, tinha medo de cores chamativas, tinha medo de faróis de carro, tinha medo do sol. Vivia em um mundo xadrez em meio a livros, a música e a desenhos de moda.
Quando o sol de punha a garota saia para viver a escuridão, e elas se misturavam
em perfeita harmonia como se fossem a mesma criatura. A garota gostava do vento,
vivia a solidão e cantava para a lua canções de sua autoria.
Certo dia o piano desafinou, a cores se desbotaram e as luzes de apagaram e aquela menina não tinha mais o que temer, sua vida perdeu os sentidos. Ela não mais lia, não mais cantava para a lua e não mais desenhava. Suas noites se tornaram frias e o vento machucava sua pele clara e frágil.
Foi assim que ela compreendeu que havia crescido e que seus temores de menina não existiam mais. Foi assim que a noite voltou a ser sua amiga, que o vento novamente a fazia flutuar e que as letras e notas musicais faziam de novo sentido.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

As cores


Um dia era um deserto, no outro uma floresta. Eu não sabia quem eu era nem o que fazia ali, mas sabia o que aconteceria em seguida. Tinha o poder da profecia, mas nada sabia sobre meus próprios sentimentos.
Eram três cores predominantes e eu achava que alguma seria adequada para a ocasião, mas a ocasião era eterna. Primeiramente o vermelho, ele era fuga e perigo, era brilho e glamour, mas ele era muito pequeno e me escapava das mãos. Logo em seguida se encontrava o azul, a paz, a eternidade, a vida e o amor, mas a luz do dia se confundia com ele e eu o perdia, assim como na escuridão da noite. Por fim lá estava a cor preta e ela quem sabe fosse a que me serviria mais perfeitamente, porém só conseguia a ver quando o sol brilhava sobre meus olhos. Nada mesmo era perfeito, nenhuma das cores poderia se unir a outra, meus olhos não poderiam vê-las.
Essas cores tinham nome, personalidade, vida. Elas falavam meu nome e sopravam poemas em meus ouvidos, depois elas iam embora e tudo voltava a ser deserto, sem cor. Sempre acontecia a mesma coisa e eu sabia o que ela seria e não podia mudar nada, porém dessa vez foi diferente: senti uma pontada de esperança que logo foi destruída pela noite. Lá se encontrava a escuridão, o frio, a culpa.
Essa é a história da minha vida.

[Amanda Ibraimovic - no copy]

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Então eu sonhei...


Hoje eu sonhei com tudo que eu queria nesse momento; sonhei com a insignificância, com o amor, com a diferença, com a voz, com o rosto. Sonhei com o que pode ser produzido pelo corpo, pela alma.
Sonhei com um toque, um sorriso, um desejo, um medo. Sonhei com uma perda para alguém e uma vitória para mim; com o que me fez ansiar pelo futuro, lutar, mudar.
[Amanda Ibraimovic - no copy]