segunda-feira, 12 de julho de 2010

As cores


Um dia era um deserto, no outro uma floresta. Eu não sabia quem eu era nem o que fazia ali, mas sabia o que aconteceria em seguida. Tinha o poder da profecia, mas nada sabia sobre meus próprios sentimentos.
Eram três cores predominantes e eu achava que alguma seria adequada para a ocasião, mas a ocasião era eterna. Primeiramente o vermelho, ele era fuga e perigo, era brilho e glamour, mas ele era muito pequeno e me escapava das mãos. Logo em seguida se encontrava o azul, a paz, a eternidade, a vida e o amor, mas a luz do dia se confundia com ele e eu o perdia, assim como na escuridão da noite. Por fim lá estava a cor preta e ela quem sabe fosse a que me serviria mais perfeitamente, porém só conseguia a ver quando o sol brilhava sobre meus olhos. Nada mesmo era perfeito, nenhuma das cores poderia se unir a outra, meus olhos não poderiam vê-las.
Essas cores tinham nome, personalidade, vida. Elas falavam meu nome e sopravam poemas em meus ouvidos, depois elas iam embora e tudo voltava a ser deserto, sem cor. Sempre acontecia a mesma coisa e eu sabia o que ela seria e não podia mudar nada, porém dessa vez foi diferente: senti uma pontada de esperança que logo foi destruída pela noite. Lá se encontrava a escuridão, o frio, a culpa.
Essa é a história da minha vida.

[Amanda Ibraimovic - no copy]

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