segunda-feira, 9 de agosto de 2010


Ela tinha medo das pequenas coisas, tinha medo das notas graves do piano, tinha medo de cores chamativas, tinha medo de faróis de carro, tinha medo do sol. Vivia em um mundo xadrez em meio a livros, a música e a desenhos de moda.
Quando o sol de punha a garota saia para viver a escuridão, e elas se misturavam
em perfeita harmonia como se fossem a mesma criatura. A garota gostava do vento,
vivia a solidão e cantava para a lua canções de sua autoria.
Certo dia o piano desafinou, a cores se desbotaram e as luzes de apagaram e aquela menina não tinha mais o que temer, sua vida perdeu os sentidos. Ela não mais lia, não mais cantava para a lua e não mais desenhava. Suas noites se tornaram frias e o vento machucava sua pele clara e frágil.
Foi assim que ela compreendeu que havia crescido e que seus temores de menina não existiam mais. Foi assim que a noite voltou a ser sua amiga, que o vento novamente a fazia flutuar e que as letras e notas musicais faziam de novo sentido.

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