quarta-feira, 16 de maio de 2012

Antibes

Sentir o frio gélido das montanhas e contemplar aquela imensidão azul. História que ruas com milénios de idade podem contar. Meus passos eram suaves como os de alguém que pisava em tesouros. De fato, a beleza que alí se encontra é a mais pura que eu poderia ver. Agora desejo a solidão de corpo e não de alma. A solidão de alma eu não podia carregar, pois meu coração é a morada de muita gente, muitos gostos, sorrisos e cenas. Antibes, eu te amo!

Lágrimas de sangue

E no meio da noite a chuva cai. Os sons se propagam até meus ouvidos. Os pingos de chuva são lágrimas melancólicas. Seriam estas de felicidade ou de assombro? E tudo se torna um rio vermelho onde o sangue do céu derrama sua dor. A chuva vem gélida e destroi o calor de uma noite de lua cheia. Sinto aquele cheiro de terra e o toque frio na pele. Seria eu incapaz de entender o real significado destas águas inesperadas? Assim elas voltam de onde vieram pra contar sua história. Para dizer ao mundo o que é crescer.

Perfeição

O sonho tardio realizado de ser o que todos desejam veio como um grande peso nos meus ombros. Eu via na minha memória aqueles olhos de criança que tanto sonhava, mas precisava destruir alguns obstaculos que me desejavam como prisioneira. Nada dois mais do que arrancar pedacinhos da minha alma com uma tesoura cega e enferrujada. Uma grande parte deminha história partia me devolvendo meu sorriso, minha vida e minha identidade, mas aquele sonho então realizado me tirava tudo que eu recuperava. Eu corria, mas meu corpo não era capaz de aguentar e tudo perdia o foco e se transforçava em sombras escuras e empoeiradas. Corri no escuro de braços abertos procurando a figura que carregava aqueles olhos de criança e tudo ficou diferente. É isso que chamamos de cores? Eu nunca havia visto.